quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A Viagem de Máel Duin

Parte III

Na manhã do terceiro dia, ouviram o som das ondas a morrer na areia e avistaram uma grande ilha com terraços onde muitas árvores cresciam e nas quais muitas aves faziam ninho. Máel Dúin explorou o local e, apercebendo-se de que tudo parecia calmo e pacífico, caçou alguns pássaros para que a tripulação pudesse saciar a fome.


Parte IV

Os homens voltaram ao mar por onde andaram por mais três dias e três noites. Na manhã do quarto dia encontraram outra ilha enorme, de solo arenoso. Quando atracaram, verificaram que na praia se encontrava um animal parecido com um cavalo, embora as suas patas fosse semelhantes às de um cão. Ao vê-los, investiu na sua direcção para os devorar, pelo que foram obrigados a partir novamente, enquanto o animal, furioso por ter deixado escapar a sua presa, lhes atirava com seixos e escavava com as longas garras afiadas a areia junto ao mar.

NOTA : "A Viagem de Máel Dúin" é retirada do livro Mitos e Lendas Celtas da Irlanda, escrito por Angélica Varandas e publicado pela editora Livros e Livros


sábado, abril 21, 2007

A Viagem de Máel Dúin


Parte I

Pouco tempo depois, Máel Dúin encontrou duas pequenas ilhas, que continham uma fortaleza em cada uma, e delas chegavam-lhe aos ouvidos os sons da vitória nas vozes de muitos guerreiros. Até que ouviu distintamente alguém afirmar que era de entre todos o melhor, pois havia morto Ailill e sobre ele incendiado a igreja de Dibcluain. No entanto, no momento em que Máel Duin se preparava para atacar os fortes, uma enorme ventania fez o barco voltar ao mar alto por onde vagueou durante toda a noite e a manhã seguinte. Então, o jovem afirmou : "Não remem. Deixem o barco quieto. Deus levar-nos-á a bom porto." E censurou os irmãos, dizendolhes que eram eles os responsáveis por aquela situação, uma vez que, contrariamente às ordens do druida, haviam entrado no barco, aumentando o número de passageiros que supostamente este deveria transportar.


Parte II

Durante três dias e três noites não avistaram terra. Por fim, na manhã do terceiro dia, ouviram o som de uma onda a bater na areia. Dirigiram-se então para a costam mas, no momento em que decidiam quem iria desembarcar, surgiram imensas formigas, cada uma delas do tamanho de um potro. Avançaram mar adentro para devorar o barco e a tripulação. Máel Dúin e os seus homens foram pois obrigados a regressar ao mar, onde vaguearam por mais três dias e três noites.




Continua...





quarta-feira, março 28, 2007

A Viagem de Máel Dúin




Em tempos idos, Ailill, um poderoso guerreiro dos Eóghanacht de Ninuss, acompanhou o rei dessa tribo numa batallha que decorria noutra provincia onde se situava um convento de freiras. À meia-noite, uma delas veio tocar o sino para as orações da noite, e quando Ailill a viu, enamorou-se dela e, possuindo-a, fez-lhe um filho. Ao voltar ao seu território, Ailill foi morto por uma tribo inimiga e enterrado sob os escombros queimados de uma igreja chamada Dubcluain. Passados nove meses, a freira deu à luz um rapaz a quem deu o nome de Máel Dúin. Este foi criado pela filha do rei, de que sempre se julgou filho.
O rapaz cresceu em beleza, alegria, vivacidade e coragem. Ninguém se lhe podia comparar. Por isso, muitos o invejavam, até que um dia, um dos seus companheiros, furioso por mais uma vez ter sido derrotado por Máel Dúin num jogo, lhe disse que se sentia insultado por ser vencido por um rapaz sem pai, mãe ou tribo conhecidas. Máel Dúin ficou muito triste quando compreendeu que não fazia parte da família que julgara ter, pelo que pediu à princesa que lhe dissesse quem eram os verdadeiros pais, caso contrário recusar-se-ia a comer e a beber. Esta levou-o até à freira, sua mão, que lhe revelou o nome do pai, dizendo-lhe que este havia morrido há muito.
Máel Dúin, contudo, dirigiu-se ao território do paim de modo a conhecer a sua linhagem e a receber a sua herança. Nas ruínas da igreja de Dubcluain começou a atirar pedras. Briccne, um home de língua venenosa, que observava a cena com atenção, disse-lhe que em vez de brincar com pedras, deveria vingar a morte do seu pai que ali se encontrava enterrado. Revelou-lhe ainda que Ailill havia sido assassinado por saqueadore de Leix. O jovem, determinado em perseguir esses saqueadores, decidiu dirigir-se até Leix, sabendo, no entanto, que a viagem teria de ser processar por mar.
Procurou então os encantamentis de Nuca, o druida, que lhe permitiram construir um barco. No dia anunciado pelo feiticeiro, partiu com os seus homens numa viagem por mar. Porém,. antes de sair do porto, os seus três irmãos de leite, filhos da princesa, pediram-lhe que os levasse com ele. Máel Dúin respondeulhes que não podia levar mais de dezasseis tripulantes, pois o feiticeiro assim havia vaticinado. Os três jovens atiraram-se ao mar, e Máel Dúin teve de voltar atrás para os resgatar, pois, caso contrário, morreriam afogados. Por fim, aceitou que fossem consigo.

Continua...




sexta-feira, outubro 06, 2006

Canção de Amergin (tradução portuguesa)

Sou uma brisa do oceano,
Sou uma onda do mar,
Sou um ruído do oceano,
Sou um veado com sete pontas em cada galho,
Sou um falcão sobre o rochedo,
Sou a mais bela das flores,
Sou um javali,
Sou um salmão num lago,
Sou uma lagoa numa planície,
Sou uma palavra de sabedoria,
Sou uma lança que trava batalhas,
Sou um deus criador do fogo sagrado.

Quem explica a autoridade das montanhas?
Quem, senão eu, sabe onde o sol se porá?
Quem adivinha as isades da Lua?
Quem traz o gado da casa de Tethra e o separa?
A quem sorri o gado de Tethra?
Quem forja as armas de monte em monte?

Invocai, Povo do Mar, invocai o poeta, que este possa tecer um feitiço para vós.
Pois eu, o Druida, que gravou letras em ogham,
Eu, que separo os guerreiros
Aproximarme-ei das fortalezas dos Sídhe e procurarei um poeta astuto e com ele prepararei sortilégios.
Sou uma brisa do oceano.