quarta-feira, março 28, 2007

A Viagem de Máel Dúin




Em tempos idos, Ailill, um poderoso guerreiro dos Eóghanacht de Ninuss, acompanhou o rei dessa tribo numa batallha que decorria noutra provincia onde se situava um convento de freiras. À meia-noite, uma delas veio tocar o sino para as orações da noite, e quando Ailill a viu, enamorou-se dela e, possuindo-a, fez-lhe um filho. Ao voltar ao seu território, Ailill foi morto por uma tribo inimiga e enterrado sob os escombros queimados de uma igreja chamada Dubcluain. Passados nove meses, a freira deu à luz um rapaz a quem deu o nome de Máel Dúin. Este foi criado pela filha do rei, de que sempre se julgou filho.
O rapaz cresceu em beleza, alegria, vivacidade e coragem. Ninguém se lhe podia comparar. Por isso, muitos o invejavam, até que um dia, um dos seus companheiros, furioso por mais uma vez ter sido derrotado por Máel Dúin num jogo, lhe disse que se sentia insultado por ser vencido por um rapaz sem pai, mãe ou tribo conhecidas. Máel Dúin ficou muito triste quando compreendeu que não fazia parte da família que julgara ter, pelo que pediu à princesa que lhe dissesse quem eram os verdadeiros pais, caso contrário recusar-se-ia a comer e a beber. Esta levou-o até à freira, sua mão, que lhe revelou o nome do pai, dizendo-lhe que este havia morrido há muito.
Máel Dúin, contudo, dirigiu-se ao território do paim de modo a conhecer a sua linhagem e a receber a sua herança. Nas ruínas da igreja de Dubcluain começou a atirar pedras. Briccne, um home de língua venenosa, que observava a cena com atenção, disse-lhe que em vez de brincar com pedras, deveria vingar a morte do seu pai que ali se encontrava enterrado. Revelou-lhe ainda que Ailill havia sido assassinado por saqueadore de Leix. O jovem, determinado em perseguir esses saqueadores, decidiu dirigir-se até Leix, sabendo, no entanto, que a viagem teria de ser processar por mar.
Procurou então os encantamentis de Nuca, o druida, que lhe permitiram construir um barco. No dia anunciado pelo feiticeiro, partiu com os seus homens numa viagem por mar. Porém,. antes de sair do porto, os seus três irmãos de leite, filhos da princesa, pediram-lhe que os levasse com ele. Máel Dúin respondeulhes que não podia levar mais de dezasseis tripulantes, pois o feiticeiro assim havia vaticinado. Os três jovens atiraram-se ao mar, e Máel Dúin teve de voltar atrás para os resgatar, pois, caso contrário, morreriam afogados. Por fim, aceitou que fossem consigo.

Continua...




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